Apresentação Inicial

Seguindo as diretrizes do curso de Pós Graduação da Universidade Federal Fluminense (UFF - RJ), procuramos produzir textos diversos sobre o assunto voltado para tutoria e interatividade. Esse material é fruto de uma disciplina na qual fomos integrantes: Sistemas de Tutoria em Cursos de EAD.

Neste blog iremos compartilhar os nossos textos e também algumas das nossas experiências enquanto cursista e também como Tutor de Acompanhemento de um curso a distância.

Espero que todos gostem do material!

Aceito sugestões de temas para debates e reflexões!

Boa leitura e diversão a todos!

Ricardo H. Pucinelli


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Tutoria, Aprendizagem e Ferramentas Web 2.0 - Um triângulo amoroso certeiro...


Ao nos reportamos ao papel do tutor em um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), o mesmo terá como desafio maior a criação de “ferramentas de trabalho” (mecanismos de intervenção junto aos cursistas) que lhe possibilitem driblar todas as dificuldades que os cursistas irão enfrentar ao longo do curso, possibilitando deste modo, a construção da autonomia do sujeito (cursista), pautada, sempre, na interatividade.
Sob essa perspectiva, Medeiros et al. (2010, p. 16 - 19) nos lembra que existem quatro “obviedades” a serem consideradas quando se fala dos temas “tutoria” e “autonomia do estudante”. São elas:
a) a ideia do ambiente – Neste caso, o ambiente virtual é visto como um espaço que privilegia a interatividade, pois “[...] deverá possibilitar aos alunos alguns elementos básicos de interatividade [...]”, como, por exemplo, “menu de opções, via de comunicação e feedback com possibilidade de diálogo (biredicionalidade), coautoria, publicação” (MEDEIROS et al., 2010, p. 17).

b) a presença humana – aqui, a “clareza” e a “atenção” por parte da tutoria, são vistos como elementos-chaves para o sucesso de uma boa interatividade, pois, como reforça Medeiros et al. (ib. Ibidem, p. 18), “clareza na comunicação e atenção para o feedback – são as bases para a interatividade específica da relação tutor/aluno”. E complementamos essa ideia, com os estudos de Gonçalves (2010), “o aspecto mais difícil de se lidar nos grupos virtuais é, sem dúvida, o ‘silêncio virtual’. Neste caso, o ‘silêncio virtual’ ao qual a autora se refere, não está ligado diretamente a ausência do sujeito, mas sim a falta de “comunicação escrita”, meio mais comum de comunicação entre o tutor e os cursistas. 

c) a expressão do aluno – considerado como algo de “respeito” pela tutoria, pois somente assim, poderemos obter a “autonomia dos estudos”. Ou seja, somente quando o tutor busca valorizar os comentários postados pelos cursistas no AVA e também auxiliá-los na reelaboração dos seus pensamentos de forma a torná-los mais profundos e menos carregados de senso comum que verdadeiramente, partimos para a construção de um sujeito liberto de seus paradoxos.

d) a tutoria é elemento promotor da interatividade – esta última “obviedade” é vista como o pivô da construção de um AVA onde a interatividade ocorre pautada no “dinamismo” e na “sensibilidade” do tutor em perceber os melhores momentos de “[...] poder funcionar como um verdadeiro motor que põe em movimentos conteúdos, tecnologias, experiências, saberes e, acima de tudo, estimula estudantes a encontrarem seus próprios caminhos na construção de conhecimento”. (MEDEIROS et al., 2010, p. 25).

            Pensando sobre esses aspectos, encontramos disponíveis na Internet diversas ferramentas da Web 2.0 que podem "facilitar" a tutoria desenvolver o seu trabalho de um modo mais integrado, contextualizado, dinâmico e prazeroso, tanto para os(as) cursistas como para os tutores, de modo geral. Essas ferramentas, como bem apresenta Rosângela Felix em seu blog, possibilitam diversos tipos de intervenções e de manipulações de dados e de ideias, permitindo aos integrantes do AVA se integrarem e socializarem ideias que, em uma sala de aula convencional, muito provavelmente, não teríamos a riqueza de informações que um AVA nos possibilita. Abaixo relacionamos algumas das principais ferramentas existentes hoje e seus respectivos acessos:

a) BLOG - http://www.blogger.com/
b) VOKI: AVATAR ANIMADO - http://www.voki.com
c) FRAPPR: MAPA INTERATIVO - http://www.frappr.com/
d) EVOCA: PLAYER E GRAVADOR DE ÁUDIO - http://www.evoca.com
e) GOOGLE DOCS: EDITOR DE TEXTOS ON-LINE - http://docs.google.com
f) WIKIPEDIA - http://wikipedia.org
g) WIKISPACES - http://www.wikispaces.com
i) TOONDOO - http//www.toondoo.com
l) SLIDESHARE - http://wwwslideshare.net/
m) YOUTUBE - http://br.youtube.com/
n) FLICKR - http://flickr.com/

           Também encontramos no YouTube diversos tutorias e outros tipos de vídeos que possibilitam a cada um de nós termos uma ideia mais ampla e contextualizada do que seja um AVA e como podemos, por exemplo, desmistificar alguns "fantasmas' da Educação, como, por exemplo, o processo de Avaliação.  O vídeo que disponibilizei abaixo é bem interessante e retrata de forma leve e divertida o qu que estou me referindo! Aumente o volume do som e se deixe levar pelos embalo das ideias e da melodia de "Avaliação em EaD". 

              
Segundo o Núcleo de Educação a Distância da UFPR [2010, p. 50],

[...] agora somos confrontados com uma nova forma de educação, na qual a presença física do professor desaparece e as aulas em espaço delimitado não existem. Esta nova forma de fazer educação requer profissionais bem formados, capacitados e que conheçam as novas tecnologias de ensino e tecnologias a informação. (NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DA UFPR, [2010], p. 50). [grifo nosso]

Pensando neste aspecto, essas quatro “obviedades” abordadas por Medeiros et al. (2010), somente tomam sentido para nós, a partir do momento em que passamos a perceber o Ensino a Distância (EAD) como uma “nova forma de fazer educação”, onde os a interatividade passa a ser a base de sustentação essencial para a aprendizagem efetiva por parte dos cursistas.
Então, neste primeiro momento podemos afirmar que os sujeitos – Tutores  e cursistas – estão diretamente vinculados uns aos outros através de um meio de aprendizagem (a plataforma de ensino) na qual a interação entre ambos e de ambos com os materiais de aprendizagem através das ferramentas de aprendizagem se intercalam e se completam ao ponto de, no final de um processo bem desenvolvido de comunicação e interação, ambos terem ampliado o seu universo do conhecimento para muito além daquele mundo em que viviam antes de ingressarem no desafio de aprenderem e de interagirem em um curso a distância.
Pautados nesta concepção de ensino, o Núcleo de Educação a Distância da UFPR (NEAD – UFPR) [2010, p. 50], afirma que

A contribuição do tutor pode ir além do incentivo aos cursistas, ele pode efetivamente contribuir com a função pedagógica, através da elaboração de atividades, incentivando a pesquisa, criando situações de questionamentos e discussões sobre os diferentes temas, avaliando as respostas, desenvolvendo o clima intelectual geral do grupo, além de trabalhar com o objetivo de encorajar os estudantes na construção do conhecimento e avaliar o desempenho dos estudantes." (NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DA UFPR, [2010], p. 50). [grifo nosso]

Sob esse aspecto abordado pelo NEAD – UFPR e levando-se em consideração a nossa experiência enquanto "Tutor de Acompanhamento", onde coordeno quinze tutores que trabalham com Ensino de Ciências pela Universidade de S. Paulo – SP, posso afirmar que é de suma importância profissionais bem qualificados para um bom aproveitamento do AVA. Por outro lado, a contribuição do tutor para a autonomia do cursista acaba sendo consequência de uma boa formação pedagógica do mesmo. Pois, para se trabalhar no EAD, tenho percebido que não basta somente “boa vontade”, o ideal mesmo é que, para que o tutor seja considerado um “bom profissional” precisa ter um bom domínio das ferramentas e, consequentemente, consiga fazer uso delas na sua potência máxima, além, é claro, de garantir  a criação de vínculos afetivos (empatias) o mais rápido possível com o seu grupo de cursistas.  
Por outro lado, quando Paulo Freire conversou com Seymour Papert em uma cena história da Educação (Nov. 1995) (vide vídeo logo abaixo), comentou que “a escola deveria desafiar a curiosidade epistemológica do aluno para incentivá-lo a descobrir a razão de ser dos fatos dos objetos do conhecimento e não fazer o que está fazendo agora...”, ou seja, simplesmente, trabalhando o conhecimento pelo conhecimento, trabalhando a ideia de que aprender significa acumular respostas, sem a formulação das devidas perguntas (Pedagogia da resposta). Freire (2010) então propõe que a escola trabalhe a “Pedagogia da pergunta”, segundo a qual irá desenvolver um aluno crítico, questionador, promovendo a sua independência, a sua autonomia enquanto cidadão, enquanto aprendiz, ao invés de incutir no sujeito uma fala opressora, onde o sujeito da aprendizagem entende que deve ser passivo no seu processo de aprendizagem. Medeiros et al. (2010, p. 11) também comenta que uma das principais funções do Tutor é justamente a de “[…] promover e intensificar os vínculos afetivos entre todos. O tutor é o elo entre os alunos e será ele o responsável pela criação de um ambiente acolhedor, confortável e propício à aprendizagem”. E esse ambiente será tão mais acolhedor quanto maior for a empatia que o Tutor conseguir estabelecer entre eles e os cursistas e entre o cursistas com outros cursistas, estabelecendo desta forma vínculos afetivos que servirão de molas propulsoras para o progresso e o bom desempenho de todos no AVA.
Portanto, diante de tudo o que foi exposto, podemos concluir que o grande desafio da tutoria no contexto atual em que nos encontramos passa a ser o desafio de mudarmos a concepção do sujeito sobre a sua forma de aprender e de interagir com o conhecimento  que lhe é disponibilizado em um AVA, pensando que o tutor, por sua vez, transforma-se na chave-mestra para auxiliar esse aluno a abrir todas as portas que ainda se encontram encerradas dentro de si mesmo.



REFERÊNCIAS

AVALIAÇÃO EM EAD. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=tqbZRHjxMU4>. Acesso em: 11 mai. 2011. 

FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 18. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. 184 p. (O mundo, hoje, v. 21)

GONÇALVES, Maria Ilse Rodrigues. Reflexões sobre "silêncio virtual" no contexto do grupo de discussão na aprendizagem via rede. Disponível em: <http://www.gestaouniversitaria.com/edicoes/28-28/133-reflexoes-sobre-%5C>. Acesso em: 19 out. 2010.

Paulo Freire X Parpert. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=6J0so-4d2dA&feature=player_embedded>. Acesso em: 25 out. 2010.

LEVINAS, Marcelo Leonardo. Conflictos del conocimiento y dilemas de la educación. Buenos Aires: Aique, 1998. 231 p. (Psicologia cognitiva y educación)

MEDEIROS, Leila, et. al. Sistemas de tutoria em cursos a distância: Texto base. Material da disciplina Sistemas de tutoria em cursos a distância, do curso Planejamento, Implementação e Gestão da EAD, 2010, UFF, Rio de Janeiro. Ministério da Educação - MEC, Secretaria de Educação a Distância - SEED. Sistema Universidade Aberta do Brasil - UAB. Programa Interinstitucional de Capacitação em EAD para a UAB. Rio de Janeiro: 2010.

NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DA UFPR [NEAD – UFPR]. Curso de Capacitação de Tutores em EAD. Unidade 2 – O tutor: Papéis e ações. s.l.: Universidade Federal do Paraná, [2010], p. 49 – 54.

domingo, 8 de maio de 2011

Interatividade, Tutoria e as Relações Interpessoais no Ambiente de Aprendizagem


O ambiente virtual de aprendizagem (AVA) é o local onde se estabelecem as principais relações interpessoais entre os alunos com outros alunos e entre tutores e alunos. O AVA, por sua vez, tende a possibilitar diversas maneiras de se estabelecer essas relações, em especial, através das Ferramentas de Aprendizagem, como, por exemplo, chat, fórum, wiki, entre outras. Essas ferramentas proporcionam aos envolvidos no processo de aprendizagem a oportunidade de aprofundarem os seus conhecimentos através da reflexão, do diálogo e da busca da autonomia (MEDEIROS et ali, 2010; GONÇALVES, 2004; MORAN, 2010). Sobre a interatividade entre tutor e aluno, Gonçalves (2004) nos esclarece que, em alguns momentos do processo de aprendizagem, os cursistas precisam de um “momento de isolamento” do AVA, intitulado por ela de “silêncio virtual”, para “metabolizar, elaborar mentalmente o que está sendo desenvolvido”. Mas, o Tutor, por sua vez, deve ter a “sensibilidade” de saber o momento certo e a forma correta de intervir neste “silêncio virtual”, a fim de “saber ouvir e acolher o outro”, evitando desta maneira, que o cursista se enclausure em si mesmo e dificulte o processo de interação. Ainda sobre o aspecto de comunicação, Moran (2010) nos lembra que


Vivemos formas diferentes de comunicação, que expressam múltiplas situações pessoais, interpessoais, grupais e sociais de conhecer, sentir e viver, que são dinâmicas, que vão evoluindo, modificando-se, modificando-nos e modificando os outros. (MORAN, 2010)


Medeiros et ali (2010, p. 11) também comenta uma das principais funções do Tutor, que é justamente a de “[…] promover e intensificar os vínculos afetivos entre todos. O tutor é o elo entre os alunos e será ele o responsável pela criação de um ambiente acolhedor, confortável e propício à aprendizagem”. E esse ambiente será tão mais acolhedor quanto maior for a empatia que o Tutor conseguir estabelecer entre eles e os cursistas e entre o cursistas com outros cursistas, estabelecendo desta forma vínculos afetivos que servirão de molas propulsoras para o progresso e o bom desempenho de todos no AVA.

REFERÊNCIAS


GONÇALVES, Maria Ilse Rodrigues. Reflexões sobre "silêncio virtual" no contexto do grupo de discussão na aprendizagem via rede. Disponível em: <http://www.gestaouniversitaria.com/edicoes/28-28/133-reflexoes-sobre-%5C>. Acesso em: 19 out. 2010.


MEDEIROS, Leila, et. al. Sistemas de tutoria em cursos a distância: Texto base. Material da disciplina Sistemas de tutoria em cursos a distância, do curso Planejamento, Implementação e Gestão da EAD, 2010, UFF, Rio de Janeiro. Ministério da Educação - MEC, Secretaria de Educação a Distância - SEED. Sistema Universidade Aberta do Brasil - UAB. Programa Interinstitucional de Capacitação em EAD para a UAB. Rio de Janeiro: 2010.


MORAN, José Manuel. As muitas formas de comunicar-nos. In: Desafios na comunicação pessoal. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2007. p. 43-50. Disponível em: <http://www.eca.usp.br/prof/moran/muitas.htm>. Acesso em: 19 out. 2010.